Histórias da Ditadura

Artigos

esquerdas
11
set
2018

HD nas universidades | As esquerdas radicais no Brasil e no Chile


 

Tese: As esquerdas radicais no Brasil e no Chile: pensamento político, história e memória nos anos de 1960 e 1970

Autora: Nashla Dahás (Lattes)

Orientadora: Maria Paula Araújo

Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015

 

1. Qual a questão central da sua pesquisa?

Verificar e compreender a originalidade e a radicalidade do pensamento político revolucionário no Brasil e no Chile dos anos de 1960 e 70, assim como suas potencialidades reflexivas nos campos da história e da memória..

 

2. Resumo da pesquisa

O tema central do trabalho é o pensamento político revolucionário na América Latina durante os anos de 1960 e 1970. Especificamente, tratamos da história e da memória da Organização Revolucionária Marxista Politica Operária (ORM-Polop), criada oficialmente no Brasil em janeiro 1961 durante período de instabilidade política, e do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), criado no Chile cerca de quatro anos depois, durante o governo Democrata Cristão de Eduardo Frei Montalva. A análise é deflagrada a partir de um conjunto documental que inclui os textos político-partidários, a produção intelectual da militância, bibliografia sobre as organizações, e obras de natureza testemunhal, com destaque para os acervos digitalizados pelo Centro de Estudos Victor Meyer, no caso da Polop, e pelo Centro de Estudos Miguel Enríquez, no caso do MIR. Levando em consideração o contexto político e social em que atuaram até a interrupção promovida pelos golpes militares nos dois países, assim como as respectivas tradições do pensamento de esquerda, a análise discute aspectos como a originalidade da interpretação nacional e latino-americana defendida por Polop e MIR, o ideário da revolução socialista no continente e o debate sobre a luta armada. Por fim, apontamos algumas especificidades dos caminhos trilhados pela memória radical das duas organizações.

 

3. Quais foram suas conclusões?

Os golpes cvil-militares no Brasil e no Chile interromperam tanto o fluxo de ideias que dividiu aquelas esquerdas, quanto a trajetória acadêmica e política de seus intelectuais e militantes. Em grande medida, a violência dessa interrupção também dificultou e dificulta ainda hoje a discussão sobre as memórias revolucionárias. Tanto no que diz respeito à Polop quanto ao MIR, a responsabilização “oficial” pelo golpe, construída no período da transição para a democracia, e a violência de Estado durante as ditaduras tem sido temas que dividem opiniões acadêmicas e sociais, como buscamos demonstrar ao longo dos capítulos da tese.

No último, à guisa de conclusão, colocamos em perspectiva algumas semelhanças e diferenças entre as ideias defendidas pela Polop e pelo MIR, procurando entender o impacto de cada uma em sua própria sociedade. Partimos da própria ideia de esquerda radical ou revolucionária, que aparece no Brasil e no Chile na mesma década, adquire contornos próprios em circunstâncias políticas e sociais que, por sua vez, também possuem semelhanças e diferenças entre si e em relação ao continente.

Sem dúvida, a pesquisa aponta para um universo de questões que ainda estão por ser investigadas, de maneira que temos mais considerações, dúvidas e suspeitas do que respostas e conclusões.

 

4. Referências 

Pilar Calveiro. Política y/o violencia. Una aproximación a la guerrilla de los años setenta. Buenos Aires, Siglo XXI Editores, 2013.

Rodrigo Patto Sá Motta (Org.). Ditaduras militares. Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. Belo Horizonte: UFMG, 2015.

Paul Ricoeur. A memória, a história, o esquecimento. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007.

Gabriel Salazar Vergara. Dolencias históricas de la memoria ciudadana. (Chile, 1810-2010). 1º ed. Santiago de Chile: Universitaria, 2013.

Edson Teles. O abismo na história: ensaios sobre o Brasil em tempos de Comissão da Verdade. São Paulo: Alameda, 2018.

 

Nashla Dahás é pós-doutoranda e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGH-UDESC), sob a supervisão da professora doutora e atual coordenadora do referido Programa Mariana Joffily. O estágio pós-doutoral está inserido no PNPD e conta com financiamento da CAPES. Atualmente (2018.2), ministra a disciplina História Oral, memória e tempo presente. Histórico de titulação: Graduada (2007) em história pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pós-graduada (2008) em História do Brasil pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestra em História Política (2010) pela UERJ, e doutora em História Social (2015) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi professora substituta no Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) entre 2016 e 2017, e pesquisadora da Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) entre 2011 e 2015.

 

Caso queira divulgar sua pesquisa sobre temas relacionados às ditaduras latino-americanas do século XX ou sobre questões do Brasil contemporâneo, não necessariamente na área de História, escreva para o email: hd@historiadaditadura.com.br

 


Crédito da imagem destacada:

Mural en la ribera sur del río Mapocho que conmemora los 50 años del Movimiento de Izquierda Revolucionaria (Chile).

Autor: Rodrigo Fernández

Wikimedia Commons