Histórias da Ditadura

Hoje na Imprensa

08
fev
2017

Crítica de cinema fez parte da resistência contra o regime militar.

Em seu doutorado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, a jornalista Margarida Maria Adamatti estudou o lugar da crítica dentro da imprensa alternativa na época. A pesquisadora relata diversos episódios em que o censor foi até o jornal para intimidar os jornalistas. Além disso, todos os textos escritos precisaram obrigatoriamente passar pela censura prévia a partir da quinta edição. Desse modo, era um desafio escrever de forma combativa sem ter o texto barrado – era necessário falar nas entrelinhas, inclusive ao se escrever críticas.

Alguns textos chegavam a ser barrados não necessariamente pelo seu conteúdo, mas sim por quem o escreveu, como era o caso do crítico e cineasta Jean-Claude Bernardet, que mais tarde se viu obrigado a utilizar pseudônimos para ter suas críticas publicadas. Margarida relembra um episódio em que Bernardet se utilizou de um jogo de perguntas direcionadas ao público ao escrever a crítica do filme São Bernardo, de Leon Hirszman, inspirado na obra homônima de Graciliano Ramos, que foi censurado durante sete meses. “Quando ele está falando de filmes que não têm um viés político, ele fala das cenas. Quando há censura é necessário falar tudo nas entrelinhas para que o público entenda. Então se cria uma linguagem cifrada no Opinião.

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