Histórias da Ditadura

Hoje na Imprensa

08
jan
2017

João Vicente Goulart lança na próxima terça em Porto Alegre livro de memórias sobre exílio de Jango e sua família.

Filho de Jango, João Vicente relembra em livro histórias do exílio da família. Desde o Uruguai, que os acolheu depois do golpe de 1964 no Brasil, ele conta em livro o cotidiano com o pai, a resistência e o sonho de um dia todos voltarem à pátria João Vicente tinha 7 anos, mas se recorda bem da noite do dia 31 de março de 1964, quando uma agitação diferente tomou conta dos corredores da Granja do Torto, uma das residências oficiais do presidente da República. Telefonemas, cuidados especiais e, na manhã do dia seguinte, malas arrumadas para uma viagem que parecia ser curta. Nada de brinquedos. Nem da pompa que cercava os deslocamentos da família. O avião também não era o da Força Aérea Brasileira (FAB). Viajaram para Porto Alegre ele, a irmã Denize e a mãe Maria Thereza. Depois para São Borja e só então para o Uruguai, destino da família após o golpe que depôs o patriarca, João Goulart, presidente eleito do Brasil, e mergulhou o país numa ditadura que duraria mais de 20 anos. A história do exílio dos Goulart, vista de dentro, pelo seu filho mais velho e companheiro de viagem e de vida, é contada neste “Jango e eu”, que será lançado em dezembro pela editora Civilização Brasileira.

No livro, João Vicente relembra todos os passos da família, reconstrói diálogos de Jango em casa, com os amigos e políticos que iam visitá-lo, conta como era o dia a dia dele e da irmã, que precisaram aprender uma nova língua, frequentar uma nova escola, fazer novos amigos e se habituar ao clima frio do Uruguai e à distância da família e amigos que ficaram no Brasil. “Éramos aves migratórias, sem pátria nem lugar de pouso. Ao longe, a Pátria distante, que um dia talvez, nos permitisse retornar com a família inteira. Meu pai dizia que o exílio era uma invenção do demônio, nos tornava mortos vivos, longe de sua terra. Se o exílio deixa marcas? Deixa, deixa sim, pois nos permite visualizar as injustiças, crescer em nossas convicções e aprender a viver sem ódios, mas lutando sempre. Acho que isto é o importante de uma vida sem Pátria, não renunciar a ela jamais”, afirma o autor, em entrevista ao blog da editora.

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