Histórias da Ditadura

Hoje na Imprensa

23
jan
2017

Teatro Oficina: uma estética da agressão.

Pensar o teatro no ano de 1967 é uma parada obrigatória na montagem de “O Rei da Vela”, obra escrita por Oswald de Andrade em 1933, mas que ganhou os palcos mais de três décadas depois de sua criação. A peça, marco revolucionário do teatro brasileiro, foi uma produção do Teatro Oficina, dirigida por José Celso Martinez em pleno contexto da revolução cultural e no limiar do AI-5, período mais violento da ditadura militar. “Toda a estrutura do texto vai revelar mecanismos de afirmação do capitalismo, de maneira debochada como era típico de Oswald”, comenta o diretor e pesquisador Luiz Paixão.

Além da relevância enquanto um movimento da contracultura, Luiz aponta o espetáculo como um marco, em especial, em termos de investigação estética. “A montagem assinala a presença de Zé Celso na Tropicália, em uma mistura de gêneros e formas. Ele vai trazer, por exemplo, influências de Artaud com o circo. Há uma investigação estética que cinde o teatro brasileiro em termos de encenação. Guardadas as devidas proporções, ela vai representar o que ‘Macunaíma’ representou nos anos 80”, diz o diretor.

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