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  • Foto do escritorPaulo Cesar Gomes

A biblioteca de... César Augusto Queirós

Atualizado: 16 de fev.

A partir de entrevistas curtas, a série “A biblioteca de...” é um convite para nossos leitores conhecerem mais o universo de nomes importantes da historiografia. Aquele ou aquela que nos inspira pode indicar caminhos de leitura fundamentais para o nosso aprendizado. Por isso, conhecer o que essas referências leem é mais do que uma simples curiosidade: é, antes de tudo, um modo de descobrir novos horizontes de saber.


César Augusto Queirós

O convidado desta edição é o historiador César Augusto Queirós. Professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), atuando tanto no Departamento de História quanto no Programa de Pós-Graduação em História. É docente permanente do Programa de Pós-Graduação em História da UNIFAP. Atualmente, é Coordenador do Laboratório de Estudos sobre História Política e do Trabalho na Amazônia (LABUHTA) e é membro do corpo editorial da Canoa do Tempo – revista do Programa de Pós-Graduação em História da UFAM. Ele é mestre e doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Além de ser autor de diversos artigos acadêmicos de referência, entre seus livros mais destacados estão Trajetórias políticas na Amazônia republicana, de 2023; Histórias impressas: imprensa e periodismo na região norte (1930-1988), de 2022; e Historiografia amazonense em perspectiva, de 2020.


Que livro você recomenda para quem está iniciando na área de História?


É sempre muito difícil indicar apenas um livro entre tantas obras sensacionais que inspiraram tantas gerações de historiadoras e historiadores. No entanto, se tivéssemos que escolher um livro que pudesse ao mesmo tempo introduzir os novos alunos à História e incentivá-los a seguir os meandros da pesquisa, eu indicaria Combates pela História, de Lucien Febvre. Pelo estilo apaixonado e vibrante, este é um livro que se torna uma leitura obrigatória para qualquer um que tenha interesse em se dedicar à difícil e apaixonante vida do historiador.


Qual foi o livro que você mais gostou de escrever?


Penso que esta é uma escolha um tanto difícil, pois são obras que, de naturezas distintas, apresentam percursos diferentes. Ao invés de mencionar uma obra de minha autoria (como O positivismo e a questão social na Primeira República ou Desvarios anarquistas na Rússia rio-grandense), vou apontar um livro que organizei e que me trouxe muita satisfação: trata-se da coletânea Historiografia amazonense em perspectiva, publicada pela Editora Valer, em 2020. Como o próprio título indica, essa obra foi inspirada no livro Historiografia brasileira em perspectiva, coletânea organizada por Marcos Cezar de Freitas, e dedica-se a realizar um profundo balanço sobre a historiografia produzida no e sobre o estado do Amazonas. A obra contou com a participação de alguns dos principais intelectuais do estado e o processo de idealização e elaboração realmente me alegrou muito.


Que livro que você escreveu teve maior repercussão e crítica? A que atribui isso?


Entre os livros que escrevi, os que tiveram maior repercussão talvez tenham sido O positivismo e a questão social na Primeira República, lançado em 2006, e Historiografia amazonense em perspectiva, mencionado anteriormente. Aliás, fico muito satisfeito e grato ao perceber que livros como Historiografia amazonense em perspectiva e Trajetórias políticas na Amazônia republicana, ambos publicados pela Editora Valer, são facilmente acessíveis em praticamente todas as bibliotecas escolares do estado do Amazonas.


Qual livro de História do Brasil é obrigatório ter na estante?


Esta é outra questão bastante difícil de responder. Temos tantas historiadoras e historiadores de excepcional competência e tantas obras fundamentais que fica muito difícil apontar apenas uma. No entanto, como um historiador que pesquisa e leciona sobre História do Brasil Republicano, vou indicar os cinco volumes da coleção O Brasil Republicano, organizada por Jorge Ferreira e Lucília Delgado. Esta coleção reúne textos de grande qualidade e pode servir de importante referência às pesquisas sobre o período.


Em sua biblioteca, tirando suas próprias obras, qual autor(a) está mais presente?


Considerando a importância desses autores em minha formação, não poderei citar apenas um desta vez. Os autores mais presentes em minha biblioteca são Edward Thompson, Eric Hobsbawm e Pierre Bourdieu. Boa parte de minha trajetória como pesquisador se deu justamente sobre a História Social do Trabalho, daí a forte influência dos autores ingleses. Mais recentemente, como tenho pesquisado cada vez mais sobre História Política, venho me debruçando sobre a obra de Pierre Rosanvallon, que passou a ocupar um espaço significativo tanto em minha estante quanto em minhas aulas.


Qual foi o último livro que você leu e que lhe marcou?


Esta foi a questão mais fácil de ser respondida até agora: considerando a qualidade da obra e a urgência em compreender a emergência e ascensão da extrema-direita, a obra O século do populismo: história, teoria, crítica, de Pierre Rosanvallon, foi, sem dúvida alguma, o livro que mais me marcou nos últimos tempos. É uma obra fundamental para quem busca compreender o intrincado labirinto político no qual muitos países – mais recentemente a Argentina – e muitos grupos têm entrado.


Qual o seu livro preferido fora da área de História?


A leitura foi um hábito e um prazer que sempre me acompanhou, dos quadrinhos à Academia. Por isso, vou mencionar livros que não são da área da História, mas também não são livros acadêmicos. Sempre tive uma predileção pelos autores russos, embora ultimamente tenha tido pouco tempo para me dedicar à literatura. Entre tantos autores e tantas obras, quero destacar Crime e castigo, de Dostoiévski, e Almas mortas, de Nikolai Gogol.


Qual tema você pretende abordar no seu próximo livro?


Atualmente, estou trabalhando em um livro que busca analisar a história política do estado do Amazonas entre os anos de 1945 e 1988. É uma obra que sistematiza minhas últimas pesquisas e que tem a pretensão de servir tanto ao leitor especializado quanto àquele interessado apenas em conhecer um pouco mais sobre a história recente do Amazonas. Ademais, como estamos às vésperas dos 60 anos do golpe de 1964, tenho tido muito trabalho para pesquisar e escrever acerca dos impactos da ditadura sobre a região Norte e o estado do Amazonas.

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