Histórias da Ditadura

Referências

Autor

Antônio Rago Filho

Título

A ideologia de 64. Os gestores do capital atrófico.

Formato

Tese

Palavras-chave

Governos militares, PUC-SP, 1999

Sinopse

A pesquisa visa à elucidação da ideologia bollapartista da autocracia burguesa produzidano período da vigência da ditadura militar (1964-1985), desde sua instauração por meio deum golpe de Estado, seus desdobramentos, até a configuração do processo de auto reforma.Trata-se de compreender os nódulos ideológicos centrais do “ideário darevolução de 1964″, aqui denominada Ideologia 64, examinando os perfis próprios decada general-presidente do ciclo militar, a fim de detectar os projetos que os especificam,buscando configurar a nucleação básica a esta forma de dominação autocrático-burguesaem nosso país. É interessante ressaltar que, desde o momento de sua instalação, o grupocastelista acenava para a impossibilidade da permanência de uma dominação violenta, soba forma da excepcionalidade, para todo o sempre. Deste modo, é posta, desde as origensda ‘ditadura militar, a possibilidade do trânsito para a consolidação institucional dosprojetos de 64, concepção que aparece nos discursos e escritos de Castello Branco,Golbery do Couto e Silva, Cordeiro de Farias, Geisel, que professavam o pensamento do”grupo da Sorbonne”.São discursos oficiais, pois, que delinearam políticas gerais e específicas, que afetaram avida da nação em seu conjunto. A Ideologia 64 manifesta nos discursos governamentais,por sua própria natureza, implica em concepções, propostas e programas que intentavammoldar a totalidade da vida social, a seu modo de ver, desde a estruturação daorganização do sistema produtivo e suas relações com o financiamento externo, o tipo decomportamento político, subordinando o parlamento à lógica do executivo, assim como, restringindo a liberdade de pensamento, de livre manifestação e organização, mas,fundamentalmente, objetivando o cerco à resistência democrática de massas, tendo aexcepcionalidade como regra constitucional e a tortura como violência edificante, com afinalidade de reprimir, desorganizar e atemorizar os trabalhadores do campo e da cidade,para a objetivação de um novo ciclo de acumulação subordinada.Aliado a isso, reunimos uma literatura específica sobre o período histórico demarcado,esforços teóricos que buscaram a compreensão das manifestações da forma autocrática dadominação dos proprietários em nosso país, bem como, das resistências e lutas levadascontra o governo pró-monopolista, anti-popular e antidemocrático do capital atrófico. Osembates entre as duas principais vertentes do bonapartismo se expressaram no binômio idesenvolvimento e segurança. O medicismo, de um lado, objetivando a construção dagrande potência pela aliança de crescimento econômico acelerado com terrorismo oficiale, na outra ponta, o castelismo, que visava a mesma edificação só que com uma espécie dedemocracia regulada para a consolidação do capitalismo associado.Ao cabo da pesquisa, as pontas da Ideologia 64 – que efetivariam um capitalismo semdesigualdades,sem antagonismos, sem confrontos,liberto da subversão e da corrupção -, transformando-se num Brasil grande potência, redundou num enorme fracasso. Acorrupção adquirira formas renovadas, utilizando-se do próprio poder militar, e asubversão mudara de lado: a crise do “milagre econômico brasileiro”, o capital comosubversão do próprio capital

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