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  • Foto do escritorDiego Gambier

59 anos do golpe - um filme, um livro, uma música


Fotografias de mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar brasileira
Mortos e desaparecidos políticos. Fonte: Comissão Nacional da Verdade. Reprodução.

Hoje, dia 31 de março de 1964, faz 59 anos do golpe militar que depôs o presidente João Goulart. Infelizmente, ainda há muita desinformação no debate público sobre o golpe e a ditadura militar que o sucedeu. A partir da ascensão recente do bolsonarismo e do retorno dos militares à cena política como protagonistas, as discussões sobre o período se acentuaram e narrativas mentirosas inundaram o debate público. Ainda que haja consenso no meio acadêmico a respeito do golpe e do caráter ditatorial do período, não estamos nem perto de um consenso na sociedade civil. Para elucidar tais discussões a respeito de um período tão complexo, separamos algumas ótimas indicações sobre o tema.


Filme:


Cartaz do documentário Libelu de Diógenes Muniz

Libelu: abaixo a ditadura” de Diógenes Muniz (2020)


O documentário teve sua estreia na 25ª edição do Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade”, e saiu com o prêmio de melhor longa ou média-metragem brasileiro, no ano de 2020. O filme, por meio de entrevistas e imagens do período, aborda a trajetória do grupo Liberdade e Luta, a Libelu, que surgiu como uma tendência estudantil de orientação trotskista na USP, no ano de 1976. A história se torna interessante também por ser um grupo formado já em um período em que havia uma maior atenção, como oposição política da ditadura, para o movimento operário. Além da questão política, o documentário caminha para uma análise da vertente cultural do grupo – a partir de entrevistas de seus ex-integrantes – que muito se diferenciava quando comparado a outras tendências do movimento estudantil.



 

Livro:


Militares e política no Brasil” organizado por Leandro Pereira Gonçalves, Jefferson Rodrigues Barbosa, Paulo Ribeiro Da Cunha e Marly de Almeida Gomes Vianna (2018)


Apesar do fim do governo Bolsonaro, estamos longe de solucionar os impasses e os conflitos civis-militares. “Militares e a política no Brasil” contém textos de pesquisadores do tema, trazendo um importante panorama histórico que vai desde a fundação das Forças Armadas até sua relação com o mundo civil e sua atuação política nos dias de hoje. Além de abordar a relação de grupos militares do espectro político da direita, o livro também traz as atuações de grupos militares ligados à esquerda. Com intuito de elucidar e questionar o papel das Forças Armadas no contexto republicano brasileiro, o livro tem o intuito de contribuir para as reflexões sobre a relação dos militares com a política. O livro conta com artigos de grandes especialistas como Paulo Ribeiro da Cunha, Leandro Pereira Gonçalves, João Quartim de Moraes, Sued Castro Lima, Odilon Caldeira Neto, entre outros.


 

Música:


“Heróis da Liberdade” samba-enredo do Império Serrano (1969)



Quando pensamos a música no período da ditadura, quase sempre nos remetemos ao gênero musical MPB. Entretanto, o samba teve papel relevante, ora a favor do ufanismo, ora ao lado da resistência ao autoritarismo. Foi no carnaval do ano de 1969, o primeiro depois do AI-5, que os compositores Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira e Manuel Ferreira, da escola de samba do Império Serrano, desafiaram o autoritarismo do governo militar. Diferente de algumas outras escolas que aderiram, totalmente ou em parte, o discurso ufanista da ditadura militar em seus sambas, o Império Serrano desfilou com um samba chamado “Heróis da Liberdade”, com uma letra que fazia clara referência à luta pela liberdade durante a ditadura. Todavia, a letra não conseguiu driblar a censura, pois teve que alterar uma palavra em um dos seus versos, em que houve a mudança de “revolução” para “evolução”. Ainda assim, com a malandragem e o samba no pé, apontaram o dedo para a ditadura em plena avenida.




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