• Diego Gambier

Um filme, um livro, uma música

Atualizado: Jun 28

13 de maio é o dia da Lei Áurea, que significou a abolição da escravidão negra no Brasil em 1888. Essa conquista foi possível por meio de muita luta dos escravizados, ex-escravizados e demais integrantes do movimento abolicionista. No entanto, o cenário pós-abolição não significou a garantia de cidadania da população negra. Produzindo, assim, cicatrizes que constituem o racismo brasileiro no tempo presente. Por esse motivo, as dicas de hoje são voltadas para a reflexão de questões urgentes e contemporâneas relacionadas à população negra.

Documentário:

“Auto de Resistência” dirigido por Natasha Neri e Lula Carvalho (2018). Autos de resistência é como a Polícia Militar do Rio de Janeiro denomina os casos de homicídios cometido pelos policiais em “legítima defesa”. O documentário acompanha o julgamento de alguns desses casos que acabam por condenar à morte a juventude negra. O filme denuncia muitos desses casos, que são recorrentes nas favelas e periferias cariocas. A banalização da morte dos jovens negros pelo Estado fica evidente ao observarmos a quantidade casos e de processos arquivados movidos contra policiais. Tema urgente que é representado de forma muito emocionante, conseguindo transmitir a dor dos familiares durante os testemunhos. Está disponível no Prime Video.



Livro:

Torto Arado de Itamar Vieira Júnior (2019). Do escritor baiano Itamar Júnior, o livro é um romance narrado sob a perspectiva feminina, conduzida pelas memórias das irmãs Bibiana e Belonísia, que possuem personalidades diferentes, mas que se aproximam na força com que perpassam pelas dificuldades enfrentadas. As irmãs vivem no ambiente rural e são filhas de trabalhadores do campo sob regime de servidão. A ascendência de escravos da família e o fato de o autor não determinar o período que se passa o romance, podendo ser dos tempos coloniais até os dias atuais, nos faz entender que o enredo se trata de permanências do passado escravocrata brasileiro. Melhor eu parar por aqui pois já estou começando a dar spoiler! Para saber mais não perca a leitura do livro. Entrevista do autor para o História da Ditadura:



Música:

A Volta pra Casa” de Rincon Sapiência. Essa faixa faz parte do belíssimo álbum do rapper paulistano Galanga Livre (2017). A letra se propõe a fazer uma homenagem a classe trabalhadora, sem romantizar as condições de exploração impostas pelo trabalho, mas procurando denunciá-las. O clipe dialoga bem com a faixa, onde o rapper procura focar na situação da classe trabalhadora negra. A narrativa passa por demonstrar a volta do trabalho, expondo as situações de medo da violência, o cansaço pela longa jornada de trabalho e pelo transporte lotado.



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