• Diego Gambier

Um filme, um livro, uma música

Em 1992, no dia 25 de julho, no 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, foi instituído o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. O evento foi criado para dar visibilidade à luta das mulheres negras contra a opressão. No Brasil, também é comemorado o dia em homenagem à líder quilombola que se tornou rainha, Tereza de Benguela. Essas duas datas marcam a importância do mês de julho e a necessidade de discutir questões que afligem as mulheres negras em solo latino-americano e caribenho. Nossas indicações de hoje são um convite à reflexão a partir de mulheres negras essenciais na história política e cultural brasileira.


SÉRIE:

“Manhãs de Setembro” dirigida por Luis Pinheiro e Dainara Toffoli. Abrimos uma exceção na coluna de hoje para indicar pela primeira vez uma série. “Manhãs de Setembro” foi lançada no dia 25 de junho, há exato um mês, sendo protagonizada por uma grande artista brasileira, a Liniker. A cantora e atriz, interpreta a protagonista Cassandra que tem que enfrentar uma série de obstáculos impostos pela sociedade para uma transexual negra e que busca se destacar no cenário da música. Mais do que abordar preconceitos, a série se trata do cotidiano, da formação de uma família e da construção do afeto.



LIVRO:


Por um feminismo afro-latino-americano”, por Lélia Gonzalez (2020). Organizado por Flávia Rios e Márcia Lima, o livro é uma compilação de textos de uma das maiores intelectuais brasileiras, Lélia Gonzalez. A gigante Lélia foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado contra Discriminação e o Racismo (MNUCDR), atual Movimento Negro Unificado (MNU). Lélia possui uma trajetória política contra o racismo, pela democracia e denunciando o sexismo como forma de violência que inferiorizam as mulheres negras. A professora e militante não deixou um legado apenas no campo intelectual, com seus trabalhos fundamentais para compreender a sociedade brasileira, mas também se tornou um exemplo de resistência e militância política.


MÚSICA:

“Tereza De Benguela - Uma Rainha Negra No Pantanal” da Viradouro (1994). No desfile de 1994, a escola de samba Viradouro (RJ) desfilou com um lindo samba em homenagem a Tereza de Benguela. A história de Tereza é pautada pela resistência da mulher negra no Brasil. No século XVIII, Tereza liderou o Quilombo do Piolho, também conhecido como Quilombo do Quariterê, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por cerca de duas décadas na região. Em 2014, a presidenta Dilma Rousseff instituiu o dia 25 de julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem a essa personagem central na história do país.



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