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  • Foto do escritorDiego Gambier

200 anos da Independência do Brasil – um filme, um livro, uma música

O dia 7 de setembro de 2022 marca o bicentenário da Independência do Brasil. Esse acontecimento histórico possui uma historiografia vasta que não está mais presa a uma visão romântica que, simbolicamente, se resumia ao famoso grito de dom Pedro I às margens do rio Ipiranga, em São Paulo. Hoje, há interpretações que visam repensar a ideia de que a nação foi construída a partir desse evento, apontando que, na verdade, houve a continuação de um projeto colonizador com a manutenção da monarquia e da escravidão. Há também interpretações que propõem discutir as populações marginalizadas que, durante muito tempo, foram abandonadas pela historiografia, que não reconhecia seu papel na formação do Brasil. Apesar disso, como vem ocorrendo com muitos símbolos da nacionalidade, o significado da comemoração do bicentenário está em disputa por movimentos de direita e de extrema-direita, que acabam reforçando uma versão oficial e acrítica da história do período.

FILME:

“O Sol da Bahia” de Orlando Senna (2019).

O documentário aborda a Guerra da Independência da Bahia, travada entre os anos de 1821 e 1823. As batalhas em territórios baianos foram conflitos de grandes proporções e que tiveram influência direta na definitiva expulsão das tropas portuguesas, consolidando a independência do Brasil. O filme aborda os feitos de alguns dos principais combatentes, símbolos da cultura baiana, mas ainda pouco conhecidos e valorizados na cultura brasileira, como a mulher-soldado Maria Quitéria, a escrava liberta Maria Felipa, o Corneteiro Luís Lopes, o indígena Bartolomeu Jacaré, entre outros.



 

LIVRO:

Várias faces da Independência do Brasil” organizado por Bruno Leal e José Inaldo Chaves (2022).

Pensando na ampliação do debate em torno da independência, o livro recém-lançado pela Editora Contexto, cumpre muito bem esse papel. Procurando pensar a independência para além de um ato isolado de dom Pedro I, o livro busca investigar as muitas faces do país em seu processo de formação. A partir de novas perspectivas e análises, apresentam como o acontecimento histórico se deu em diversas regiões do país com a participação de grupos distintos, como os povos indígenas, e discutem os seus usos do passado em períodos de ditadura e no Brasil de hoje. Esta obra procura ampliar o debate sobre o evento com a contribuição de brilhantes historiadores e cientistas sociais como Helio Franchini Neto, Keila Grinberg, Vânia Moreira, Neuma Brilhante, Janaina Martins Cordeiro, entre outros.

 

MÚSICA:

“Corneteiro Luís” Baianasystem

A música está presente no magnífico álbum “América do Sol” (2021) da banda soteropolitana Baianasystem A música homenageia a valentia do personagem histórico Luís Lopes, corneteiro cujo sopro heroico do instrumento contribuiu decisivamente para a vitória na guerra pela independência na Bahia, travada em novembro de 1822, conhecida como a Batalha de Pirajá. A canção conta a história de Luís Lopes em seu verso: “Na batalha de Pirajá/ Quando o corneteiro tocou/ O comandante mandou recuar/Mas o corneteiro trocou/ Pode avançar, pode avançar”. O toque da corneta teria motivado a tropa a enfrentar seus inimigos e alcançar a vitória.



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