• Diego Gambier

48 anos do Golpe do Chile - Um filme, um livro, uma música

No final da manhã de 11 de setembro de 1973, há exatos 48 anos, o Palácio de La Moneda era bombardeado pela força militar chilena que, sob o comando do general Augusto Pinochet, derrubava o presidente socialista eleito democraticamente, Salvador Allende. No mesmo dia, iniciava-se a ditadura militar de Pinochet, que teve apoio tanto dos EUA como do Brasil, por meio da Operação Condor. Durante quase dezessete anos, o país esteve sob o regime, que foi um dos mais brutais do século XX. Em apoio à memória das vítimas, a coluna “um filme, um livro, uma música” de hoje será sobre esse período trágico para a história do continente latino-americano.


FILME:

“Chove sobre Santigo” dirigido por Helvio Soto (1976). O título da obra faz referência à operação militar que configurou o golpe de Estado chileno. O filme, gravado na Bulgária, propõe um hibridismo entre o formato documental e o de ficção. Nele são narrados os anos do governo de Salvador Allende (1970-1973), a escalada do golpe e os momentos iniciais da ditadura de Pinochet. É possível acompanhar o golpe planejado pelas Forças Armadas e como a oposição conservadora organizou-se com ações para enfraquecer o governo de Allende. Sob uma ótica instigante, o filme procura transportar o espectador para os acontecimentos históricos da época. Para isso, inclui fatos marcantes do período, como o momento do golpe, o funeral do poeta Pablo Neruda e o último discurso de Allende antes de cometer suicídio.





LIVRO:

O Brasil contra a democracia: a ditadura, o golpe no Chile e a Guerra Fria na América do Sul” de Roberto Simon (2021). O livro escrito pelo jornalista Roberto Simon foi baseado em uma primorosa pesquisa documental a respeito da relação do Brasil com o regime militar chileno. Seu trabalho demonstra, por meio de documentos oficiais, como a ditadura brasileira colaborou para derrubar a democracia chilena, tendo sido atuante, também, no desenvolvimento do regime militar sob comando de Augusto Pinochet. O governo do socialista Salvador Allende era considerado um enorme perigo dentro da concepção de combate ao comunismo na América Latina. Assim, o autor propõe que essa intervenção não foi fruto de ações episódicas, mas de uma política de Estado brasileira, que tinha o intuito claro de fortalecer o combate dos “subversivos” no continente. Veja o debate que o História da Ditadura fez com o autor.


MÚSICA:

“Manifiesto” de Víctor Jara (1973). No dia 16 de setembro de 1973, cinco dias após o bombardeamento do Palácio de La Moneda, que culminou no golpe militar chileno, o novo governo torturou e assassinou o cantor Víctor Jara. Suas músicas, que tinham clara conotação política e se relacionavam com os anseios da classe trabalhadora, evidenciavam o posicionamento de apoio do artista ao presidente socialista, Salvador Allende. Seu assassinato ocorreu no Estádio Chile, que foi palco de torturas e prisões arbitrárias pela ditadura, e hoje leva o nome do cantor como homenagem. “Manifiesto” faz parte de um álbum póstumo de mesmo nome, e até hoje se faz presente em protestos no Chile. A música é um manifesto de esperança destinado à classe trabalhadora, a qual Víctor Jara dedicava grande parte de suas composições.



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