• Diego Gambier

Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado

Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 30 de agosto como Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado. Para a Organização, entende-se como “desaparecimento forçado” toda detenção, prisão, sequestro ou qualquer outra forma de privação de liberdade pelo apoio, consentimento ou atuação direta de agentes do Estado. A ditadura militar brasileira terminou em 1985, mas os desaparecimentos forçados permanecem como legado autoritário da história do país, tendo como vítimas, principalmente, jovens negros periféricos. Ainda que o fenômeno seja global, nossas indicações serão voltadas para o desaparecimento forçado durante a ditadura militar brasileira.


Filme:


“Deslembro” de Flávia Castro (2019). O longa ficcional conta a trajetória de Joana, uma adolescente que vive em Paris com a família no período em que a Lei da Anistia (1979) é decretada no Brasil. Ao voltar ao país, ela entra em contato com um fragmento de seu passado difícil de lidar, algo que, até então, estava adormecido: o desaparecimento de seu pai pelo regime ditatorial. A trajetória da protagonista dialoga com as relações entre memória e esquecimento, que acabam também por dialogar com a própria Lei da Anistia. Uma obra forte e sensível, que ressalta a importância da memória.



Livro:


K - Relato de uma busca” de Bernardo Kucinski (2012). Bernardo Kucinski foi uma vítima da opressão da ditadura juntamente com sua família. Nesse aclamado romance do jornalista, um pai tenta encontrar o paradeiro de sua filha, uma militante política desaparecida pela ditadura militar brasileira. A obra faz o leitor experienciar a ditadura através de uma obra ficcional, visto que os acontecimentos da narrativa perpassam por eventos de tal período histórico. Dessa forma, permite uma compreensão a partir de uma visão única da forma de atuação dos aparelhos repressivos da época, somando-se a própria experiência de vida do autor com o regime.


Música:


“Angélica” de Chico Buarque (1981). A belíssima canção de Chico Buarque é uma homenagem à estilista e ativista política Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel. Ela dedicou sua vida à moda, fazendo dos desfiles e exposições espetáculos de beleza e críticas à ditadura militar brasileira. Além disso, Zuzu ficou conhecida pela sua incansável busca por seu filho Stuart Angel Jones, militante político. Stuart foi preso no Rio de Janeiro e levado para a Base Aérea do Galeão onde, segundo depoimento do preso político Alex Polari, foi torturado e morto no mesmo dia. Apesar da incessante busca de Zuzu, seu corpo nunca foi encontrado. A música narra o trauma do acontecimento na vida de Zuzu. Para saber mais sobre sua trajetória, indico um artigo do História da Ditadura “Tecendo uma ‘revolução’: a moda-política de Zuzu Angel” de Rodrigo Rui.



76 visualizações

Posts recentes

Ver tudo