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  • Foto do escritorDiego Gambier

Dia da Consciência Negra - um filme, um livro, uma música

Em 1971, o Grupo Palmares, em plena ditadura militar, realizou um ato para abordar a luta contra o preconceito racial, em Porto Alegre. Ao questionar a comemoração da Lei Áurea, que apesar de abolir a escravidão, não garantiu direitos para os negros no Brasil, o ato utilizou a figura de Zumbi como símbolo de resistência para valorizar historicamente o papel da população negra. O evento ocorreu na noite de 20 de novembro, tendo sido um dos primeiros movimentos que contribuiu para essa data se tornar um dia de reflexão sobre a questão racial no Brasil. Cerca de sete anos depois, o Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUCRD), em uma assembleia, determinou o dia 20 de novembro como Dia da Consciência Negra. Assim, tendo o dia como inspiração, vamos às dicas da coluna!


Filme:

“Clementina” (2019) produção de Dona Rosa Filmes.

O filme conta a história marcante de Clementina de Jesus da Silva, também conhecida como Rainha Quelé, cantora brasileira de samba que faleceu em 1987. Neta de escravizados e filha de escravos libertos, que trabalhavam nas lavouras de café, teve participação ativa na formação do samba carioca e na afirmação do gênero musical como parta da cultura brasileira. O documentário cria uma narrativa que conecta a trajetória de Clementina, suas músicas, sua religiosidade, com a história da cultura brasileira, formada a partir de africanidades. Ainda que, infelizmente, a artista só tenha tido seu talento reconhecido no final de sua vida, hoje ela é um dos maiores símbolos da música popular brasileira e está presente como influência na formação de tantos outros músicos.



 

Livro:

O termo “Angola janga” advém do quimbundu, que significa “pequena Angola”, utilizado na época para designar a região que englobava Palmares e diversos outros mocambos localizados em uma área que hoje pertence ao estado de Alagoas. A graphic novel retrata as últimas décadas do maior e mais conhecido mocambo, o Quilombo dos Palmares, que foi liderado por Zumbi. A história se passa em um contexto de tensão constante entre os colonos luso-brasileiros e os habitantes do mocambo. O enredo tem como foco os processos de resistência dos negros escravizados e das populações quilombolas contra a violência colonial da época. Além de figuras históricas importantes como Zumbi, a HQ ainda conta com Ganga Zumba e Acotirene. Dessa forma, o livro traz elementos que nos remetem à diáspora africana e à resistência cultural e física dos escravizados.


 

Música:

“Conversa com uma menina branca” Djonga (2022).

A música é do último álbum lançado por Djonga, “O Dono do Lugar”, que também nos premiou com um videoclipe excelente gravado em plano-sequência. Na letra, feita para gerar debate, ele expõe o racismo a partir de uma conversa ficcional que estabelece com mulheres brancas, contrapondo as realidades com a vivência de um homem preto. Nesse momento, o rapper, que já tratou diversas vezes sobre a questão racial em suas músicas, ao invés de direcionar o debate para um diálogo com um homem branco, quis apontar outra experiência vivida por ele a partir do diálogo com mulheres brancas.


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