• Diego Gambier

Dia da Consciência Negra – um filme, um livro, uma música

Novembro é o mês da consciência negra, já que hoje, no dia 20, é celebrado no país o Dia Nacional da Consciência Negra. Data em que o líder quilombola Zumbi dos Palmares foi morto, em 1695. Em referência ao Quilombo dos Palmares, liderado por longos anos por Zumbi, em 1988 foi criada a Fundação Cultural Palmares, responsável por promover e preservar a cultura afro-brasileira. Infelizmente, o que vemos hoje é uma gestão motivada por suprimir uma memória construída por meio de inúmeras formas de resistência ao longo dos anos. Por esse motivo, a resposta a esse descaso deve ser mais aguerrida, tornando-se mais urgentes as ações em prol do combate ao racismo e a valorização e preservação da memória das culturas afro-brasileiras. Viva Zumbi!

FILME:

“Sankofa: A África que te habita”, produzido pelo fotógrafo César Fraga e pelo professor Maurício Barros (2020). A série documental é comporta por dez episódios, sendo que cada um representa um país africano. A produção traz entrevistas com pesquisadores, imagens do continente e representações animadas de algumas histórias africanas. César Fraga e Maurício Barros visitaram os principais países relacionados ao tráfico de escravizados para o Brasil, com o intuito de evidenciar as conexões históricas e culturais entre os povos. A série foge de uma forma estereotipada de ver o continente e é feita tendo os povos africanos como protagonistas. É imperdível!



LIVRO:

“Umbandas: uma história do Brasil”, de Luiz Antônio Simas (2021). Neste mês, foi lançado o mais novo livro do historiador Luiz Antônio Simas. Na obra, o autor analisa um dos temas que mais gosta de abordar em seus livros, por também fazer parte de sua história: as religiões afro-brasileiras. Fugindo de narrativas tradicionais, Simas questiona a própria forma de falar da umbanda como síntese do Brasil, já que, ao ser tratada dessa maneira, corre o risco de apagar todas as dinâmicas construídas por sua prática ao longo do tempo. Essas dinâmicas e complexidades são demonstradas pela enorme heterogeneidade das tradições do campo das umbandas ao longo de sua história. O livro dialoga diretamente com as mudanças, perspectivas e adaptações da umbanda no presente pandêmico.


MÚSICA:

“Quilombo, o Eldorado Negro”, de Gilberto Gil (1984). Esse belíssimo samba de Gil compõe a trilha sonora do filme “Quilombo”, do diretor Cacá Diegues. Assim como o filme, a música conta um pouco da história do Quilombo dos Palmares, que foi um dos maiores quilombos do período colonial, para onde diversos negros fugiam da condição de escravidão para construir comunidades com estruturas sociais próprias. Apesar do seu trágico e violento final, a letra da música procura rememorar tal período como fonte de força para resistência, esperança e luta permanentes do movimento negro no presente.


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