• Lara Norgaard

Mundo Nuevo: o anticomunismo na literatura latino-americana, visto da Indonésia

Atualizado: 22 de jun.

Por Ronny Agustinus

Introdução e tradução para o inglês por Lara Norgaard

Tradução para o português por Victor Traldi

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A intervenção dos Estados Unidos na produção cultural das décadas de 1950 e 1960 foi um projeto insidioso. Durante essas décadas, a Agência Central de Inteligência (CIA) interveio nas relações exteriores por meio do Congresso para a Liberdade Cultural (CCF), uma instituição que trabalhou internacionalmente para criar revistas literárias e programas culturais ideologicamente amigáveis aos interesses dos EUA. Na América Latina, uma dessas publicações – Mundo Nuevo – viria a publicar alguns dos nomes mais famosos do boom literário latino-americano. Embora este seja talvez o exemplo mais famoso das atividades do CCF, o alcance da instituição estava longe de se limitar a uma única região: na Indonésia, após um golpe de Estado anticomunista e assassinatos em massa de supostos esquerdistas em 1965, a mesma instituição americana estabeleceu uma rede com os escritores, jornalistas e editores mais proeminentes do país. (Para mais informações sobre a história do autoritarismo da Indonésia e sua relação com as ditaduras brasileira e latino-americanas, leia o texto de estreia desta coluna).

Para a segunda parte da Operação Jacarta, volto-me para a história interconectada da violência cultural na América Latina e na Indonésia ao traduzir o ensaísta, editor e tradutor literário indonésio Ronny Agustinus. No ensaio a seguir, publicado originalmente na coletânea Macondo, Para Raksasa, dan Lain-Lain Hal: Seputar Sastra Amerika Latin (Tanda Baca 2021), Agustinus considera a história da intervenção estadunidense pela ótica da responsabilização: como os autores que colaboraram com publicações apoiadas pelo CCF reagiram quando foram reveladas suas ligações com a CIA? Qual foi a resposta crítica na América Latina, em comparação com a Indonésia? Quais são os fundamentos ideológicos da negação e a que agenda política serve a postura do não-saber?


Expandindo-se para além das histórias regionais, surge uma imagem mais completa do intervencionismo e da violência cultural dos EUA – assim como novas perspectivas sobre verdade e justiça. A análise de Agustinus é uma espécie de defesa comparativa da responsabilização, que reconhece e atravessa o terreno irregular da memória coletiva entre contextos nacionais e linguísticos. Lendo este ensaio na tradução, temos uma noção de como os intelectuais indonésios progressistas discutem e debatem uma história que está ao mesmo tempo emaranhada com as Américas e é relevante do outro lado do Pacífico.

***


Nos últimos anos, uma geração jovem pediu que a velha guarda do mundo cultural indonésio fosse responsabilizada por seu “papel” nos assassinatos em massa de 1965. Esse papel refere-se à sua participação na produção cultural anticomunista apoiada pelo Congresso para a Liberdade Cultural (CCF), operação secreta da Agência Central de Inteligência (CIA). O CCF foi o aparato por meio do qual os Estados Unidos atuaram para expandir internacionalmente sua agenda de dominação econômica e política liberal, por meio de iniciativas culturais.


Não é um salto especulativo afirmar que o CCF foi uma operação da CIA. A conexão foi descoberta já em abril de 1966: primeiro, por Tom Wicker do New York Times, e mais tarde, pelo jornalista e editor Warren Hinckle do Ramparts. (Para aqueles que podem questionar a qualidade desta reportagem, deve-se notar que Ramparts recebeu o George Polk Memorial Award de Excelência em Jornalismo por sua investigação sobre o CCF). Décadas depois, Frances Stonor Saunders pesquisou arquivos desclassificados e escreveu sobre a relação entre o CCF e a CIA no livro Who Paid the Piper? CIA and the Cultural Cold War (1999).


Para citar as primeiras frases do livro de Saunders (1999, p. 1):


Durante o auge da Guerra Fria, o governo dos Estados Unidos dedicou vastos recursos a um programa secreto de propaganda cultural [...] Ele foi administrado, em grande segredo, pelo braço de espionagem dos Estados Unidos, a Agência Central de Inteligência. A peça central desta campanha secreta foi o Congresso para a Liberdade Cultural, dirigido pelo agente da CIA Michael Josselson entre 1950 e 1967 [...]. Em seu auge, o Congresso para a Liberdade Cultural tinha escritórios em 35 países, empregava dezenas de pessoas, publicava mais de 20 revistas de prestígio, realizava exposições de arte, possuía um serviço de notícias, organizava conferências internacionais de alto nível e premiava músicos e artistas com prêmios e apresentações públicas. Sua missão: “afastar a intelligentsia da Europa Ocidental de seu fascínio persistente com o marxismo e o comunismo, em direção a uma visão mais acolhedora do ‘caminho americano’”.


Apesar do amplo conhecimento desses fatos, muitos escritores e intelectuais indonésios que já estiveram envolvidos com o CCF continuam hesitantes em reconhecer os vínculos com a CIA. O crítico e autor Goenawan Mohamad defendeu Ivan Kats, o funcionário do CCF que supervisionou as atividades da organização na Ásia e trouxe intelectuais indonésios para o grupo. Mohamad alegou que Kats “não estava ciente” de qualquer conexão entre o CCF e a CIA, acrescentando que estava “chocado” com as descobertas do relatório do New York Times, que ele disse serem “inesperadas”. Enquanto isso, o falecido editor e jornalista Mochtar Lubis negou veementemente qualquer relação entre o CCF e a CIA, e o escritor Taufiq Ismail afirmou que estava “atordoado” com os relatórios. (HERLAMBANG, 2013, p. 92).


Esses intelectuais muitas vezes justificam seus próprios laços com o CCF da seguinte maneira: “a CIA não é como a inteligência indonésia. Eles fazem um show limpo. Esta foi uma operação secreta, o que significa que é totalmente razoável e compreensível que os funcionários do CCF e os escritores que colaboraram com eles não tivessem conhecimento das conexões com a CIA.” Talvez haja alguma verdade nessas afirmações. No entanto, um problema permanece: esses escritores não enfrentaram uma escolha ética depois que as conexões CCF-CIA foram expostas em 1966? Para fins de comparação, podemos recorrer à América Latina.


Aos olhos dos Estados Unidos, a América Latina era tão prioritária quanto o Sudeste Asiático no esforço de esmagar a influência global do comunismo. Os EUA tinham motivos para prestar atenção à região: o ano de 1959 começou com as tropas guerrilheiras lideradas por Fidel Castro derrubando Fulgencio Batista, o ditador cubano apoiado pelos EUA. A vitória de Castro na Revolução Cubana foi um evento geopolítico extraordinário para o continente. Os países da América do Sul começaram a se entender como um bloco político interconectado, que poderia seguir uma trajetória histórica semelhante: o sentimento pan-latino-americano cresceu. A nova teoria do foco, desenvolvida a partir das experiências de Che Guevara na guerrilha, demonstrou como novos movimentos armados na América Latina podiam ser desencadeados por revoluções como a de Cuba.

Che Guevara e Fidel Castro. 1961. Autor: Alberto Korda. Creative Commons.

Em reação à influência da Revolução Cubana (assim como de outras ideias marxistas) na cultura e no pensamento intelectual, a secretaria do CCF em Paris sentiu a necessidade de iniciar uma nova publicação na América Latina, substituindo os Cuadernos del Congreso por la Libertad de la Cultura (geralmente referidos como Cuadernos), a revista anteriormente distribuída na região. Lançados em edições quadrimestrais a partir de março de 1953, os Cuadernos conseguiram construir uma rede transnacional de colaboradores do Chile ao Uruguai (GALVETE, 2006). Porém, após a Revolução Cubana, os Cuadernos pareciam ultrapassados. A revista atraiu leitores de uma geração ainda revigorada pelo sentimento republicano da Guerra Civil Espanhola e não conseguiu atrair os leitores mais jovens que viam Cuba como seu ideal político. Os Cuadernos foram descontinuados em 1963 e o escritório do CCF em Paris estabeleceu uma nova revista: Mundo Nuevo.


Sob a direção do editor Emir Rodríguez Monegal, um crítico literário uruguaio que poderíamos chamar de “Ivan Kats da América Latina”, Mundo Nuevo foi concebida como uma publicação mais “literária” do que os Cuadernos foram um dia. Sob a bandeira “uma revista de diálogo”, a publicação se enquadrava como “apolítica”, transcendendo as divisões ideológicas do período. A alegação de não-partidarismo era desajeitada; como explica o crítico Jean Franco, ficou claro que:


Mundo Nuevo pretendia ser uma resposta ao domínio da Revolução Cubana sobre a imaginação de escritores mais jovens e à influência da revista cubana Casa de las Américas, que […] celebrava as lutas de libertação do Terceiro Mundo, o movimento Black Power nos Estados Unidos, a guerrilha heroica e a tradição do anti-imperialismo latino-americano. (FRANCO, 2002, p. 45) [I]

Aqui vemos a clara divisão ideológica que separa a Mundo Nuevo de Monegal e a Casa de las Américas, editado por Haydée Santamaría. Enquanto Casa de las Américas buscava moldar uma “nova geografia cultural” ao situar a América Latina nas lutas de libertação do Terceiro Mundo, Mundo Nuevo trabalhava para posicionar a América Latina dentro de uma linha universalista da cultura europeia – um objetivo que se assemelha muito ao do “humanismo universal” na Indonésia, um movimento que também reivindicava a arte universal e apolítica. Enquanto Santamaría criticava os escritores latino-americanos que escolheram viver na Europa, Monegal argumentava que os maiores escritores da região eram justamente aqueles que se mudaram para o exterior. A diferença de perspectiva se tornou ainda mais evidente quando ambos os periódicos discutiram os mesmos temas, como o centenário do nascimento do poeta nicaraguense Rubén Darío: Mundo Nuevo discutiu as realizações de Darío em termos de alto modernismo, colocando o poeta entre as fileiras de escritores europeus como Stéphane Mallarmé e Rainer Maria Rilke, enquanto Casa de las Américas considerava Darío um modelo para a luta armada cubana com base em suas acusações ao imperialismo norte-americano. (COBB, 2007, p. 3-4).


Dados os princípios de Monegal (“situar a cultura latino-americana em um contexto internacional e contemporâneo”, conforme expresso no editorial da primeira edição), não é surpresa que os escritórios da Mundo Nuevo tenham sido baseados em Paris. É claro que também havia razões práticas para essa escolha do local: financiamento do CCF, que veio da Europa [II], e coordenação com outras publicações do CCF. A revista teve uma tiragem de cinco mil a seis mil exemplares com distribuição na América Latina e, em menor escala, nos Estados Unidos e na Europa. Está longe de ser um exagero afirmar que a publicação fazia parte do que o agente da CIA e secretário executivo do CCF Michael Josselson descreveu como a “grande família de revistas anticomunistas” financiada pelo CCF. (COBB, 2007, p. 28).


Através de sua missão cosmopolita e criando oportunidades para escritores verem seus trabalhos traduzidos, Monegal conseguiu atrair o interesse de inúmeros autores latino-americanos com perspectivas políticas diversas para colaborar com Mundo Nuevo ou publicar na revista. Contribuidores notáveis incluem Carlos Fuentes, José Donoso, Augusto Roa Bastos, Guillermo Cabrera Infante, Octavio Paz, Gustavo Sainz, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e Julio Cortázar – todos escritores que, ainda em ascensão quando contribuíram, viriam a ganhar reconhecimento internacional como membros do “boom” literário latino-americano. Nesse sentido, Mundo Nuevo desempenhou um importante papel de “promoção” de escritores latino-americanos para leitores europeus antes que o boom tomasse forma. [III] Seleções de obras literárias agora canônicas foram publicadas pela primeira vez como excertos na Mundo Nuevo, antes de serem lançadas como romances (como é o caso de Cem anos de solidão, de García Márquez, Troca de pele, de Carlos Fuentes e Três tristes tigres, de Cabrera Infante). Monegal chegou a convidar García Márquez para contribuir regularmente com a revista, oferecendo ao autor quatrocentos dólares por mês por suas contribuições.


Gabriel García Márquez, um dos escritores que contribuíram regularmente com a revista Mundo Nuevo. Wikimedia Commons.

Antes que García Márquez pudesse aceitar ou recusar, estourou a comoção: o New York Times e o Ramparts publicaram suas investigações. Os artigos foram traduzidos para o espanhol e publicados no jornal uruguaio Marcha e na Casa de las Américas, arqui-inimiga da Mundo Nuevo. Muitos dos escritores listados acima criticaram abertamente a revista por suas ações. Mario Vargas Llosa e Julio Cortázar, deve-se ressaltar, foram céticos em relação ao projeto desde seus primeiros dias; há muito hesitavam em contribuir. Por outro lado, Cabrera Infante não teve problemas com a filiação à CIA, já que vivia no exílio devido aos seus próprios conflitos com o regime de Castro em Cuba. García Márquez, que tinha visões políticas de esquerda e era amigo próximo de Castro, afirmou que a notícia o fez se sentir “corneado” (cornudo). Ele e Roa Bastos cancelaram suas próximas contribuições e disseram que não colaborariam mais com a Mundo Nuevo, como evidenciado por uma carta enviada a Monegal:


Acredite em mim quando digo que não tenho nada contraespiões na vida real. Quando você me convidou para contribuir com a Mundo Nuevo, muitos amigos com menos humor político do que eu, me alertaram sobre suspeitas generalizadas de que o CCF estava envolvido em um caso extraconjugal com a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos... Em suma, eu estava convencido de que nesta inefável história de espionagem todos nós estávamos honrosamente conscientes do jogo que estávamos jogando. Mas agora acontece que o CCF afirma não ter conhecimento de seu próprio jogo, algo que escandalosamente ultrapassa os limites da comédia, entrando no reino escorregadio e imprevisível da fantasia. Em tal situação, estimado Diretor, você deve ser o primeiro a entender por que não contribuirei mais com o Mundo Nuevo enquanto a revista continuar com seu envolvimento com uma entidade que colocou você e eu, e tantos de nossos amigos, na posição calamitosa do corno. [IV]


Monegal contestou suas conexões com a CIA e continuou a defender a independência da Mundo Nuevo. Em nota aos leitores na edição de maio de 1967, ele escreveu que Mundo Nuevo


não é o braço de nenhum Estado ou partido político, nenhum grupo ou seita, nenhum movimento religioso ou ideologia partidária, mas sim um jornal diversificado cuja contribuições são selecionadas por seu editor, o único indivíduo com a responsabilidade de selecionar o material para publicação. [V]


Será que Monegal realmente desconhecia as ligações entre o CCF e a CIA, assim como afirma Ivan Kats? As evidências demonstram o contrário. Depois que o escândalo estourou, Monegal enviou cartas a seus superiores no CCF, incluindo Michael Josselson, Pierre Emmanuel e Shepard Stone, pressionando para que a Fundação Ford assumisse o financiamento da Mundo Nuevo e divulgasse um comunicado à imprensa afirmando que a revista sempre recebeu seu apoio financeiro da instituição filantrópica. [VI] Monegal esperava que tal declaração afastasse a Mundo Nuevo do CCF e da CIA, fazendo parecer que a revista nunca teve vínculos com a inteligência americana. Ele sonhou que tal ficção poderia se tornar realidade! "Será necessário converter essa ficção em realidade", foi o que escreveu em sua carta a Pierre Emmanuel do CCF. (Emmnauel, um poeta francês e administrador do CCF, foi – coincidentemente? – apresentado a Goenawan Mohamad por Ivan Kats durante a visita do escritor indonésio aos escritórios do CCF em Paris, embora – como Mohamad alegou – sua conversa não durou mais do que trinta minutos). [VII]


O pedido de Monegal foi parcialmente atendido: a Fundação Ford assumiria as responsabilidades de financiamento da Mundo Nuevo sem divulgar a declaração que o editor esperava. Em 1968, Monegal deixou o cargo de editor-chefe, sustentando até o dia de sua morte que Mundo Nuevo só havia recebido fundos da Ford e nunca do CCF. Os escritórios da revista foram transferidos para Buenos Aires e a linha editorial mudou, passando da literatura para a crítica social. A qualidade da publicação foi prejudicada, resultado da pequena quantidade de escritores dispostos a contribuir. A Ford estabeleceu um prazo para o apoio à Mundo Nuevo: a revista teria que ser financeiramente independente até 1971. A publicação, incapaz de se sustentar sozinha, imprimiu sua última edição naquele mesmo ano.


Com esta comparação com a América Latina, começamos a ver que figuras culturais na Indonésia assumiram a posição de Monegal: eles continuam negando conexões entre o CCF, a CIA e as iniciativas culturais de que participaram depois de 1965, ignorando todas as evidências em contrário. Após o escândalo, os agentes da CIA em funções administrativas do CCF deixaram seus cargos. A organização cultural foi dissolvida, depois substituída pela nova Associação Internacional para a Liberdade Cultural (ICAF), que continuou suas atividades normalmente. Nenhum pensador indonésio da época criticou o trabalho do CCF na Indonésia, nem teve a coragem de Cabrera Infante de apoiar abertamente as intervenções da CIA na política externa. Essas reações apenas fortalecem a afirmação de Frances Stonor Saunders de que “uma característica central deste programa era avançar a afirmação de que ele não existia” (1999, p. 1). Ou seja, não devemos ter esperanças de que alguém assuma a responsabilidade por suas ações no curto prazo. A negação contínua, ao que parece, tornou-se um dos principais projetos para os intelectuais na Indonésia.


 

* Este ensaio foi publicado originalmente em 2014 sob o título “Mundo Nuevo: Kerja Antikomunisme di Amerika Latin” no site indoprogress.com e republicado em 2021 no livro Macondo, Para Raksasa, dan Lain-Lain Hal, uma coleção dos ensaios críticos de Ronny Agustinus sobre literatura e cultura latino-americana. Além de suas atividades como ensaísta, Agustinus é tradutor literário espanhol-indonésio e editor fundador da editora independente Marjin Kiri, que lança novas vozes na ficção indonésia, literatura em tradução e títulos de não ficção com perspectivas política e culturais progressistas e de esquerda. Leitor ávido de ficção latino-americana, vive e trabalha em Jacarta.

Notas:

[I] Para uma análise aprofundada da Mundo Nuevo como braço cultural e político do CCF e do imperialismo norte-americano, ver: MUDROVCIC, 1997.

[II] A Mundo Nuevo era administrada pelo Instituto Latinoamericano de Relaciones Internacionales (ILARI), que também publicava outras três revistas: Aportes, Cadernos Brasileiros e Temas. Em 1966, o ILARI recebeu US$ 260.000 do CCF, sendo o maior orçamento (no valor de US$ 80.000) dedicado ao Mundo Nuevo. O próprio Michael Josselson fundou a ILARI como uma organização por procuração, operando legalmente na Suíça. A ILARI absorveria todos os escritórios, equipamentos e pessoal das filiais do CCF na Argentina, Brasil, Chile, Peru e Uruguai, abriria novos escritórios no Paraguai e na Bolívia e fecharia as filiais no México e na Colômbia. Ver: MUDROVCIC, p. 25.

[III] Em suas memórias, José Donoso afirma que Mundo Nuevo foi a responsável pelo boom latino-americano. Ver: DONOSO, 1972.

[IV] Carta de Gabriel García Márquez a Emir Rodríguez Monegal, 24 de maio de 1967. Dos arquivos das cartas de Emir Rodríguez Monegal na Universidade de Princeton, Caixa 7, Mapa 12. Citado por COBB, 2007, p. 161-163.

[V] “Al lector,” Mundo Nuevo, n. 11, maio 1967. p. 4.

[VI] Essas cartas são mantidas nos arquivos do CCF-IACF, parte de uma coleção especial da Universidade de Chicago. Citado por COBB, 2007, p. 13. Pesquisas futuras sobre as atividades do CCF e da Associação Internacional para a Liberdade Cultural (IACF) na Indonésia devem ser realizadas nesta coleção.

[VI] Carta de Rodríguez Monegal a Pierre Emmanuel, citada em COBB, 2008, p. 86.



Referências:


COBB, Russell St. Clair. Our Men in Paris? Mundo Nuevo, the Cuban Revolution, and the Politics of Cultural Freedom. Dissertação da University of Texas, Austin, 2007.

COBB, Russell. The Politics of Literary Prestige: Promoting the Latin American « Boom » in the Pages of Mundo Nuevo. A contracorriente, v. 5, n. 3, primavera de 2008

DONOSO, José. Historia personal del “boom”. Barcelona: Editorial Anagrama, 1972.

FRANCO, Jean. The Decline and Fall of the Lettered City: Latin America in the Cold War. Cambridge: Harvard University Press, 2002.

GALVETE, Marta Ruiz Galvete. Cuadernos del Congreso por la Libertad de la Cultura: anticomunismo y guerra fría en América Latina. El Argonauta Español, v. 3, 2006.

HERLAMBANG, Wijaya. Kekerasan Budaya Pasca 1965: Bagaimana Orde Baru Melegitimasi Anti-Komunisme Melalui Sastra dan Film. Tangerang Selatan: Marjin Kiri, 2013.

MUDROVCIC, María Eugenia. Mundo Nuevo: Cultura y Guerra Fría in the 60s. Buenos Aires: Beatriz Viterbo, 1997.

SAUNDERS, Francis Stonor. Who Paid the Piper? CIA and the Cultural Cold War. Londres: Granta, 1999.


Como citar este artigo:

AUGUSTINUS, Ronny. Mundo Nuevo: o anticomunismo na literatura latino-americana, visto da Indonésia. História da Ditadura, 15 jun. 2022. Disponível em: https://www.historiadaditadura.com.br/post/mundonuevooanticomunismonaliteraturalatino-americanavistodaindonesia. Acesso em: [inserir data].


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